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  • Não precisa o mundo aprovar!
Realmente há momento perfeito? Quando desfrutar?

    Não precisa o mundo aprovar! Realmente há momento perfeito? Quando desfrutar?

    A imagem que escolhi na internet mostra a modelo Ashley Graham, nesta foto, a praia de areia escura com muito gelo, imagine o frio, podemos comparar com a vida, tem dificuldades, mas há beleza e regozijo. Ashley é uma voz ativa sobre que não precisa atender atingir uma “perfeição social”, como ela disse: “Não há muitas mulheres que falam sobre as suas imperfeições como eu, e fico feliz por poder ser a voz que lhes diz ser normal ter celulite. Pensem e falem positivamente sobre os seus corpos e os de outras mulheres e nunca se compararem a alguém”.

    Recentemente conversando com uma mulher linda, inteligente e esforçada, que infelizmente adiou muitas coisas em sua vida e ainda adia por não achar que é o melhor momento para viver e se permitir desfrutar a vida por conta do peso, da ansiedade, da opinião alheia com seus comentários terríveis que sempre derrubam até as mais forte das árvores, mesmo que esteja fincada com raízes profundas e bem nutridas. A fibromialgia tirou muitas coisas da minha vida, inclusive o desejo de viver. É um farto pesado de carregar, no meu caso o peso influenciou até a balança, sim, não estou no peso adequado, porém eu já perdi 31kg (sem efeito sanfona, seriam 35kg, mas após minha cirurgia 4kg perdidos voltaram, perde e volta). A verdade é que quando comecei a me permitir, inclusive renovei algumas peças do vestuário, já que o medicamento foi o fator determinante da obesidade grau 2. Comecei a sair, tentar curtir, viver, quanto mais experenciava a vida, mais fácil veio a perda do peso, esta leveza foi sentida muito além da balança, ora que aos poucos fui abrindo os olhos para minha existência e engatinhando para a vida.

    Não foi o sobrepeso ou julgamento alheios quem roubou meu amor pela vida, a fibromialgia com seus sintomas e comorbidades associadas arrancaram tudo de mim, só não levou o meu sopro de vida, mesmo eu implorando ou tentando. Percebi que ela não me define. NÃO, EU NÃO ESTOU CURADA, NÃO TENHO UM VIDA PLENA E MENOS AINDA ESTOU 10% DO QUE EU ERA. Todavia, não podia continuar com a autodestruição de mim. Eu já não sou a mesma, inclusive aqui sou apenas Tiane, sem outros títulos ou rótulos. Aqui sou tudo o que restou, porém não sou restos ou sobras, me senti insuficiente por muito tempo, fui estilhaçada, outrossim não sou pedaço. Posso não fazer as coisas que eu fazia, tem um corpo cobiçado por muitos, que atendiam aos padrões e ditames do que é “belo”. Agora preciso aprender a viver com o que eu tenho de melhor em mim, apesar de não ser muito que fui posso ser tudo que eu puder. Preciso decidir que quero ser tudo que sou capaz.

    Não tem rede de apoio, tratamento, remédios, terapias e etc. Nada irá ajudar, curar, melhorar, acontecer… Só quando EU DECIDIDO QUE QUERO, VOU, FAÇO É QUE A TRANSFORMAÇÃO COMEÇA. Eu comecei o movimento de que eu precisava mudar, me dedicar verdadeiramente para a dádiva que é a vida. Existir é diferente de viver, tal qual viver não é sobrevivência, não é apenas respirar e ser forte. É DESFRUTAR DA VIDA! Problemas, dificuldades, doenças, aflições, dores e sofrimentos são um parcela da vida, posso ficar no fundo do posso de braços cruzados, ou posso me agarrar as melhores partes da vida, amor (principalmente ao amor próprio, como o fraternal), alegria, família, amigos, fé (independentemente de uma, ou qual religião, desde que seja voltada ao bem e não prejudicar ninguém, isso inclui a si mesmo), perseverança… Poderia enumerar várias coisas e motivos te incentivar. No entanto como supracitado, a única pessoa capaz de tirar essa desistência da vida de você é você mesma, nenhuma pessoa será capaz disso.

    Podemos mostrar motivos pelos quais vale viver, entretanto não temos como decidir por você. Esse ano após uma crise de vesícula que me deixou mais de quinze dias péssima, orando por uma morte rápida pois não aguentava tanto sofrimento, decidi que EU PRECISAVA ACABAR COM O SOFRIMENTO, me esconder na minha dor, doença e nem mesmo a morte eram opções. DECIDI VIVER, fui para o médico, preparei tudo para a cirurgia (e sim, foi pelo SUS) e consegui o alívio merecido. Agora sei que não é apenas existir, preciso viver e começa com meu pensamento, meu desejo, minha capacidade de ligar o exploda-se opiniões, comentários, e problemas, ter metas reais, naquele momento não é a fibromialgia, era a vesícula, concentrei todos os esforços para sanar o a causa do sofrimento. Mesmo no resguardo puder fazer coisas que trouxessem vida, alegria, lazer e leveza. Continuo buscando vida, e focando em resolver prioridades e deixando a carga excessiva para a Tiane do futuro. Hoje, faço o inadiável (vida ou morte, maior sofrimento ou prejuízo) e dedico o tempo para aquilo que me faz bem. Que eu gosto ou experimento coisas novas, EU ESCOLHO VIVER. As crises não deixaram de existir, estou aprendendo a administrar meus esforços, entender o que vale a pena, a intensidade dos sentimentos diante do ocorrido, excluindo culpabilidade e ficar ruminando. Não há imunidade para isso, há conversão de quem sou para quem quero ser e trabalhar para atingir objetivos. Pode não ter cura, mas tem remissão, serão tão prolongados quando me permitir.

    Trinta e sete dias com dores de cabeça e faciais por bruxismo pela ansiedade (que começou na antevéspera da cirurgia, fobia de hospital), mesmo assim estou decidido superar a ansiedade, lentamente estou encontrando a paz interior (e tendo momentos muito bons, com dor, alegres independentemente) e já estou trabalhando na solução, aguardado conseguir consulta com o bucomaxilo.

    Tiane d’Souz